
Você acorda com a mandíbula cansada, sente dor na face, percebe que “trava” os dentes ao longo do dia ou já ouviu alguém dizer que você range à noite? Se você está buscando respostas, eu quero começar com um alívio: nem todo bruxismo significa problema grave, mas todo sintoma merece investigação correta.
Consenso Internacional sobre Bruxismo 2025, publicado no Journal of Oral Rehabilitation atualizou as definições e trouxe mais clareza para pacientes e profissionais. O principal recado é simples: bruxismo é um comportamento muscular, e o que realmente importa é o impacto dele no seu corpo e na sua qualidade de vida.
O que é o “Consenso 2025” e por que ele importa?
Consensos são documentos feitos por especialistas de diferentes centros e países para alinhar conceitos e reduzir confusão clínica. No caso do bruxismo, essa atualização de 2025 reforça e organiza o que já vinha sendo discutido desde os consensos anteriores: definições mais objetivas, linguagem mais clara e foco no contexto individual.
O bruxismo, segundo esse grupo internacional, continua sendo entendido como uma atividade repetitiva dos músculos da mastigação e não como “uma doença” por si só.
Novidade 1: bruxismo não é “um diagnóstico único”, existem manifestações diferentes
O consenso reforça duas manifestações (que mudam bastante a forma de avaliar e tratar):
Bruxismo do sono
Acontece durante o sono e é descrito como atividade muscular rítmica (fásica) ou sustentada (tônica).
Bruxismo em vigília (acordado)
Acontece quando você está acordado e costuma aparecer como apertamento, contato dental repetido ou “mandíbula em alerta”.
Por que isso importa?
Porque a raiz do problema e a solução podem ser completamente diferentes em cada um.
Novidade 2: saiu um detalhe das definições que confundia muita gente
Um ponto específico do consenso 2025: para evitar confusões, foi removido das definições o adendo “em indivíduos saudáveis” (“in otherwise healthy individuals”). Isso ajuda a não criar interpretações erradas quando o bruxismo aparece junto com outras condições (por exemplo, distúrbios do sono, dor orofacial, ansiedade, uso de medicamentos etc.).
Novidade 3: avaliar melhor é mais importante do que “rotular”
O consenso reforça uma ideia central: não existe um único sinal que “fecha” bruxismo sozinho.
Na prática, a avaliação costuma combinar:
- Auto-relato: o que você percebe (dor, tensão, travamento, relatos do parceiro, sono ruim).
- Sinais clínicos: sensibilidade muscular, fadiga, alterações articulares, marcas na língua/bochecha, fraturas/restaurações quebrando.
- Instrumentos (quando necessário): exames e monitoramentos em casos específicos.
E aqui entra uma evolução importante na área: o STAB (Standardised Tool for the Assessment of Bruxism),uma proposta para avaliação mais multidimensional, olhando não só “se tem bruxismo”, mas contexto, comorbidades, consequências e possíveis gatilhos.

Por que “individualidade” virou o centro do tratamento?
Porque bruxismo não é uma receita de bolo. Eu gosto de explicar assim:
Bruxismo não é a pergunta. É o começo da investigação.
A pergunta real é: “o que está mantendo sua mandíbula em alerta — e o que isso está causando?”
Alguns exemplos reais de perfis (e por que o tratamento muda):
1) Quem aperta durante o dia (vigília)
Muitas vezes está ligado a tensão sustentada, estresse, hiperfoco, postura, hábito inconsciente. Nesses casos, o plano tende a funcionar melhor quando inclui:
- educação e consciência do hábito (mudança de padrão)
- estratégias de “mandíbula em repouso”
- manejo de dor muscular e sobrecarga
- ajustes no estilo de vida e nos gatilhos
2) Quem range/aperta principalmente à noite (sono)
Aqui eu fico muito atenta ao sono não reparador: despertares, respiração, ronco, boca seca, cansaço matinal. Em alguns casos, o bruxismo pode ser um “sinal” associado ao sono fragmentado.
3) Quem tem dor na ATM e estalos
Nem toda dor articular vem “só do bruxismo”. Às vezes, a articulação já está inflamada, a musculatura está sobrecarregada, ou existe uma combinação de fatores. Por isso, insistir em uma única solução pode frustrar.
Então a placa resolve o bruxismo?
Ela pode ajudar muito, mas com objetivo correto.
Em geral, placas/dispositivos são úteis para:
- proteger dentes e restaurações
- reduzir sobrecarga mecânica
- ajudar no controle de sintomas em algumas pessoas
O ponto é: placa não é “cura universal”. O consenso atual reforça que bruxismo deve ser entendido no contexto, como comportamento que pode ser risco para consequências clínicas (ou, em alguns casos, não gerar nenhum problema relevante).
O que eu considero essencial numa avaliação bem feita
Aqui no consultório, eu conduzo a investigação de forma bem clara e sem pressa, porque esse é o tipo de queixa que costuma vir junto de medo e frustração.
Normalmente, eu observo:
- qual é a sua principal queixa (dor? desgaste? sono? estética? fraturas?)
- quando acontece (dia, noite, ambos)
- intensidade e frequência dos sintomas
- qualidade do sono e hábitos de vida
- sinais musculares/articulares e padrões funcionais
- fatores associados (ansiedade, medicamentos, respiração, ronco)
Esse caminho evita dois extremos comuns: minimizar o que você sente ou prometer solução mágica.
Perguntas frequentes sobre bruxismo (FAQ)
Bruxismo tem cura?
Em muitos casos, a gente não fala em “cura” como desligar um botão, e sim em controle e redução de impacto, com plano individual.
Bruxismo é causado por estresse?
Estresse pode ser um gatilho importante (especialmente no bruxismo em vigília),mas raramente é o único fator. Por isso a avaliação precisa ser completa.
Desgaste no dente sempre significa bruxismo?
Não necessariamente. Desgaste pode ter outras causas (tempo, hábitos antigos, erosão ácida). O consenso reforça que um achado isolado não fecha o quadro sozinho.
Bruxismo pode piorar a ATM?
Pode ser um fator de sobrecarga, sim — mas dor na ATM costuma ser multifatorial. Avaliar bem muda tudo no tratamento.
O “novo” do Consenso 2025 é tratar gente, não rótulo
As novidades do consenso 2025 deixam mais claro que bruxismo é um comportamento muscular, com manifestações diferentes (sono e vigília),e que o tratamento moderno deve respeitar individualidade, contexto e consequência clínica: não apenas “colocar uma placa e pronto”.
Se você sente dor, acorda cansado(a),percebe tensão constante ou vive quebrando restaurações, isso é um sinal de que vale investigar com carinho e método.
👉 Se você quer uma avaliação acolhedora e individualizada para bruxismo (sono ou vigília),fale com a nossa equipe e agende sua consulta.
📍 Rua Santos Dumont, 182 – Centro, Florianópolis
