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Odontologia Integrativa

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Existem histórias que não começam com dor. Começam com uma sensação sutil de que algo não está em harmonia, mesmo quando exames dizem que “está tudo bem”.

Este artigo nasce de um relato real recente, vivido ao longo de quase três décadas, e revela como um dente traumatizado, um tratamento de canal mal cicatrizado e uma cavitação osteo necrótica silenciosa podem impactar não apenas a saúde bucal, mas também emoções, padrões de vida, dores crônicas e vitalidade.

É uma história que confirma, na prática, um dos pilares da odontologia integrativa: o corpo nunca mente. Ele apenas espera ser escutado.

“Vou te contar uma história que me acompanha há quase três décadas, uma história que atravessa corpo, emoção, energia e intuição.

Uma história que me ensinou, na pele, que o corpo nunca mente… e que, quando finalmente escutamos, ele nos conduz exatamente para onde precisamos ir.”

 

Um detalhe esquecido e um corpo que não esqueceu

Tudo começou em 1997, com um tratamento de canal aparentemente comum. Durante o procedimento, uma lima, instrumento metálico utilizado na endodontia, se quebrou e permaneceu esquecida dentro do dente, dentro  de um dos canais.

Um detalhe pequeno demais para gerar alarme imediato. Mas grande o suficiente para se tornar um ponto de tensão silencioso ao longo dos anos.

Em 2010, exames mais detalhados revelaram uma infecção importante e degradação óssea significativa à volta da raiz desse dente com a lima fraturada. O canal foi retratado, os protocolos seguidos, as condutas corretas adotadas. Ainda assim, algo permanecia fora do lugar. Não havia dor intensa, mas uma sensação,  havia uma inquietação profunda, uma percepção clara de que o corpo tentava comunicar algo que não estava sendo compreendido.

Quando os exames dizem “está tudo bem”, mas o corpo diz que não

Ao longo dos anos, vieram novos profissionais, novas opiniões, novos exames. A resposta era quase sempre a mesma: “Está tudo bem.”

Mas as imagens insistiam em mostrar uma inflamação discreta e persistente no osso em torno das raízes do dente com canal tratado. E, mais do que isso, o corpo insistia em falar por outras vias: dores crônicas, tensões no lado direito do pescoço e da escápula, queda de vitalidade, sensação de bloqueio.

Essa é uma experiência comum em casos de cavitações osteo-ecróticas: processos inflamatórios profundos, muitas vezes invisíveis às radiografias convencionais e, por isso, subdiagnosticados por anos.
Em alguns casos, apenas marcadores inflamatórios discretamente alterados em exames de sangue sugerem que algo não está em desequilíbrio no organismo.

Sensações semelhantes também podem estar associadas a dentes com tratamento de canal que, apesar de aparentarem normalidade nas radiografias tradicionais, podem abrigar processos inflamatórios silenciosos.

É nesse contexto que a tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) se torna fundamental. Trata-se de um exame simples, com experiência muito semelhante à de uma radiografia panorâmica, porém com uma riqueza de informações incomparavelmente maior, permitindo visualizar alterações ósseas e periapicais que não aparecem nos exames bidimensionais.

Além disso, é um exame relativamente acessível, e sua importância diagnóstica é amplamente respaldada pela literatura científica. Estudos demonstram que a tomografia é significativamente mais sensível na detecção de alterações periapicais do que as radiografias convencionais, mesmo em casos considerados “normais” nos exames tradicionais (Abella et al., Journal of Endodontics, 2012).

 

Cavitação osteonecrótica: a inflamação silenciosa

A cavitação é uma área de necrose óssea crônica que pode se formar após extrações, traumas ou tratamentos de canal mal cicatrizado. Ela não costuma doer, porém às vezes sim, de forma difusa, não incha e não dá sinais clássicos de infecção. Essas cavitações com sensação dolorosa associada são os famosos NICOS (nevralgia induzida por cavitações osteo necróticas).  Ainda assim, atua como um foco inflamatório ativo, liberando toxinas e mediadores inflamatórios de forma contínua.

Estudos mostram que essas áreas podem impactar a saúde sistêmica, interferindo na imunidade, no metabolismo, na energia vital e até no estado emocional. O corpo compensa por anos, até que os sinais se tornem impossíveis de ignorar.

A escuta que muda tudo: odontologia biológica, emocional e neurofocal

Foi apenas quando a paciente encontrou uma profissional com uma visão integrativa que a história começou a se reorganizar. Uma dentista que compreendia a relação entre dentes, órgãos, sistema nervoso e emoções. Que sabia, inclusive por experiência própria, que o corpo guarda memória.

Exames tridimensionais mais específicos foram solicitados. A paciente foi encaminhada para uma profissional que trabalha com Terapia Neural e Biodecodificação Dental. E ali, pela primeira vez, o quadro ganhou coerência.

O dente em questão estava relacionado, dentro da visão neurofocal e simbólica, ao eixo do trabalho, vida social e valor pessoal. Ao ser questionada sobre conflitos nessa área, a resposta veio quase com ironia: havia muitos. Antigos, repetidos, silenciados.

“Foi então, há cerca de três meses, que encontrei uma dentista diferente. Ela falava sobre a conexão entre dentes, emoções e padrões.

Ela mesma já tinha vivido algo parecido.

Pela primeira vez, me senti vista por inteiro, não só como uma radiografia, mas como um sistema inteligente, emocional, simbólico”

 

O corpo responde quando é escutado

Após o trabalho terapêutico integrativo, algo inesperado aconteceu. No dia seguinte, uma dor crônica no lado direito do pescoço e da escápula, presente há anos, melhorou cerca de 40% de forma imediata. Hoje, praticamente desapareceu.

O corpo havia recebido um sinal claro: agora estava sendo visto.

Pouco depois, a tomografia revelou aquilo que faltava para fechar o diagnóstico: um processo avançado de cavitação osteo-necrótica, profundo e silencioso na região de um siso extraído há bastante tempo. Tudo, enfim, fazia sentido.

Mais do que um dente extraído, uma história encerrada

Na última etapa, o dente de canal tratado cronicamente  infeccionado  e a zona de osso necrótico da cavitação foram removidos. Mas não apenas eles. Foram retiradas histórias antigas, pesadas, que já não precisavam mais ser sustentadas. E desde então, a paciente relata mudanças, que levaram a ações diferentes, com sensações internas diferentes.

Mais leveza.
Mais presença.
Mais alinhamento.

“Desde então, sinto uma reorganização silenciosa acontecendo: física, emocional e energética. Como se meu corpo estivesse reencontrando seu eixo e reconstruindo, aos poucos, o espaço que sempre foi meu”.

O corpo é um mapa e a boca, uma das suas linguagens

Este relato não fala de causalidades simplistas, nem de promessas milagrosas. Ele fala de escuta de uma paciente muito sensível, de um diagnóstico ampliado para além do físico e da coragem para olhar além do óbvio.

Na odontologia biológica e neurofocal, compreendemos que dentes não são apenas estruturas anatômicas. Eles fazem parte de uma rede viva, neurológica, imunológica e simbólica.

Quando aprendemos a ler os sinais do corpo, encontramos algo maior do que a ausência de sintomas: encontramos o caminho de volta para nós mesmos. Porque o corpo sempre soube. Sempre falou. quando finalmente honramos essa sabedoria, a cura, física e emocional, pode, enfim, começar.

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