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Odontologia Integrativa

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Radiografia panorâmica com dentes considerados perdidos por doença periodontal pela Odontologia tradicional. Dá pra recuperar?

Durante muito tempo, a boca foi tratada como um sistema isolado do restante do organismo. Hoje, a ciência mostra o contrário: a saúde bucal está profundamente conectada à saúde sistêmica, e a microbiota oral ocupa posição central nessa relação.

A cavidade oral abriga bilhões de microrganismos, bactérias, fungos e vírus, organizados em um ecossistema altamente dinâmico. Em equilíbrio, o que chamamos de simbiose, essa microbiota participa da digestão inicial de carboidratos, protege as mucosas e ajuda a modular o sistema imunológico.

Quando esse equilíbrio se perde, instala-se a disbiose oral que causa, entre outras coisas, as bolsas periodontais, nichos à volta dos dentes que escondem microrganismos altamente patogênicos que causam perda óssea. Nessa situação, a boca pode se tornar uma fonte ativa e contínua de inflamação e contaminação sistêmica. 

Microbiota oral: um ecossistema que conversa com o corpo inteiro

A microbiota oral saudável é essencial para a homeostase imunológica. Ela atua como uma linha de defesa sofisticada, treinando o sistema imune a reconhecer o que é próprio e o que representa ameaça.

Entretanto, fatores como estresse crônico, alimentação inflamatória, respiração oral, má qualidade do sono, tabagismo, uso indiscriminado de antibióticos e antissépticos orais, higiene inadequada favorecem a disbiose.

Nesse cenário, microrganismos patogênicos passam a dominar o biofilme dental e periodontal, alterando profundamente a resposta inflamatória local e sistêmica.

Quando a gengiva deixa de ser barreira

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Em condições de saúde, a gengiva atua como uma barreira epitelial altamente eficiente entre a microbiota oral e a corrente sanguínea, protegendo o organismo da translocação bacteriana. Quando essa barreira é desafiada pelo acúmulo de biofilme bacteriano na margem gengival, instala-se a gengivite, uma inflamação mais superficial, restrita aos tecidos gengivais, caracterizada por vermelhidão, edema e sangramento à escovação ou à sondagem, ainda sem perda da inserção da gengiva ao dente ou comprometimento ósseo. 

No entanto, quando esse processo inflamatório persiste ao longo do tempo sem intervenção adequada, ocorre a progressão para a periodontite. Nessa fase, o biofilme torna-se composto predominantemente por bactérias gram-negativas altamente patogênicas, capazes de induzir a destruição das fibras que ligam a gengiva ao dente, promovendo perda de inserção, reabsorção do osso de suporte e a formação das chamadas bolsas periodontais, espaços patológicos profundos onde essas bactérias se alojam e perpetuam a inflamação.

 A gengiva inflamada passa então a apresentar aumento significativo de permeabilidade, permitindo a passagem direta de bactérias, endotoxinas e mediadores inflamatórios das bolsas periodontais para a corrente sanguínea, fenômeno conhecido como leaky gums, em analogia ao leaky gut intestinal. Muitas vezes silenciosa, essa condição pode evoluir sem diagnóstico precoce, manifestando-se clinicamente por halitose persistente, sangramentos espontâneos, abscessos recorrentes e, em estágios mais avançados, mobilidade dentária. Por isso, a avaliação periodontal criteriosa é fundamental: o periograma permite mapear com precisão a profundidade das bolsas periodontais, o sangramento à sondagem, a mobilidade dentária e a perda óssea, sendo uma ferramenta essencial para o diagnóstico correto e para a construção de um plano terapêutico individualizado, consciente e integrativo.

Repercussões sistêmicas da inflamação de origem oral

A inflamação periodontal não permanece restrita à boca. Evidências científicas mostram associações consistentes entre doenças periodontais e diversas condições sistêmicas.

  • Doenças cardiovasculares: microrganismos orais e mediadores inflamatórios já foram identificados em placas ateroscleróticas, contribuindo para disfunção endotelial, aterosclerose, infarto e AVC. Aumento da pressão arterial pode ocorrer por diminuição da produção de óxido nítrico por bactérias simbióticas
  • Diabetes mellitus: a inflamação periodontal aumenta a resistência à insulina e dificulta o controle glicêmico, estabelecendo uma relação bidirecional entre boca e metabolismo. 
  • Doenças autoimunes: determinadas bactérias periodontais podem modificar proteínas do hospedeiro, ativando respostas imunológicas aberrantes, como observado na artrite reumatoide.
  • Doenças neurodegenerativas: bactérias muito agressivas periodontopatogênicos como o Porphyromonas gingivalis já foram identificados em cérebros de pacientes com doença de Alzheimer, sugerindo participação da microbiota oral em processos de neuroinflamação.
  • Partos prematuros em gestantes: mediadores inflamatórios de origem periodontal estão associados a maior risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Esses achados reforçam que a boca não é um compartimento isolado, mas um verdadeiro modulador da inflamação sistêmica.

O papel do dentista integrativo na saúde sistêmica

Diante desse cenário, o papel do dentista vai muito além do tratamento localizado dos dentes, gengiva e osso.  A Odontologia Integrativa e Biológica desempenha importante papel no tratamento periodontal.

Essa abordagem inclui:

  • O diagnóstico periodontal envolve exames de imagem, como radiografias e, quando necessário, tomografias, além da avaliação clínica das gengivas. Durante a consulta, são analisados sinais como sangramento gengival, mobilidade dos dentes e perda óssea. Um exame essencial nesse processo é o periograma, que mede a profundidade das bolsas periodontais ao redor de cada dente. Esse mapeamento é repetido ao longo do tratamento, permitindo acompanhar a evolução do quadro e verificar o fechamento progressivo das bolsas periodontais.

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  • Avaliação da necessidade de reequilíbrio microbiológico pelo uso de antibióticos Aqui a ozonioterapia, o uso científico do própolis e fitoterapia são grandes ferramentas para minimizar o uso de medicamentos com efeitos colaterais, sempre avaliando essas possibilidades pela gravidade do quadro.
  • Avaliação da funcionalidade mastigatória, traumas oclusais, planejamento de reposição de dentes perdidos que sobrecarregam dentes remanescentes, eventual tratamento de Ortodontia ou Ortopedia Funcional dos Maxilares para corrigir dentes encavalados, falta de espaço e etc.
  • Eliminação de galvanismo oral, restauros que causam alergias e restauros mal adaptados.
  • Avaliação e reequilíbrio dos hábitos alimentares e de higiene oral, do sono, respiração oral e fluxo salivar
  • Avaliação e tratamento de hábitos como o bruxismo, tabagismo, estresse, quer seja com recursos complementares ou pela ajuda de profissionais parceiros. Uso de técnicas de respiração e meditação que ensinamos no Centro Conscientia são de grande ajuda para muitos pacientes.

O objetivo é reabilitar a boca e reduzir a carga inflamatória sistêmica, melhorar a qualidade de vida, respeitando a individualidade biológica de cada paciente.

Modulação do terreno biológico garante estabilidade 

Manter a saúde periodontal vai além do tratamento local da gengiva. Na odontologia integrativa, entendemos que o equilíbrio da microbiota oral, o conjunto de microrganismos que vivem na boca, é um dos pilares para a saúde bucal e sistêmica. 

Além do tratamento clínico adequado, o equilíbrio da microbiota oral depende de fatores sistêmicos fundamentais:

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  • Alimentação equilibrada, com alimentos naturais, rica em vitaminas e minerais, e com pouco ou nenhum consumo de alimentos industrializados, que favorecem a inflamação.
  • Probióticos orais, como pastilhas com bactérias benéficas, e prebióticos presentes em fibras, polifenóis e alimentos naturais, que ajudam a manter uma microbiota oral mais saudável.
  • Exames de sangue mostram a necessidade de suplementar vitaminas e minerais inicialmente, corrigir alterações hormonais ou fazer compensações. Com a melhora dos pilares da saúde, tudo tende a se equilibrar, mas isso precisa ser acompanhado por exames de sangue periódicos.
  • Respiração pelo nariz, que melhora a salivação, equilibra o pH da boca, oxigena melhor os tecidos e contribui para a produção de óxido nítrico, importante para a saúde cardiovascular e do corpo como um todo.
  • Sono de qualidade, fundamental para o equilíbrio do sistema imunológico e hormonal.
  • Controle do estresse, que reduz processos inflamatórios e diminui comportamentos como o apertamento dos dentes e o bruxismo (que pioram o quadro periodontal).

Nesse contexto, o dentista integrativo assume um papel estratégico na prevenção e no controle da inflamação crônica de baixo grau, condição cada vez mais associada a doenças sistêmicas. Ao compreender a relação entre microbiota oral, inflamação gengival e saúde geral, a odontologia integrativa amplia seu impacto para além da boca, contribuindo de forma concreta para a promoção da saúde sistêmica e da longevidade. Cuidar da saúde bucal, sob essa perspectiva, significa intervir no terreno biológico como um todo, fortalecendo os mecanismos naturais de equilíbrio do organismo e prevenindo desequilíbrios que podem se manifestar tanto na boca quanto no corpo.

 

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Dra Elisa Baumgarten | Centro Conscientia

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