
Seu filho vive de boquinha aberta? Dorme roncando, acorda cansado, com olheiras? Então preste atenção: isso pode ser respiração oral e não é ‘jeitinho’, é um sinal do corpo pedindo ajuda.
E na biologia existe uma regra silenciosa e muito poderosa: função molda forma. Então se a respiração está alterada, o sono e o desenvolvimento podem sentir. Vamos ver os sinais que entregam isso?
A maneira como a criança respira todos os dias (e principalmente à noite) pode influenciar o sono, a energia, o humor… e também o desenvolvimento do rosto e das arcadas.
No consultório, famílias chegam buscando resposta para sono agitado, ronco, olheiras, cansaço ao acordar e até queda de concentração. E, muitas vezes, a respiração oral está no centro da história.
Aqui no Centro Conscientia, em Florianópolis, o nosso olhar é sempre além do sintoma. A pergunta não é só “o que aparece”, mas o que está por trás: como essa criança respira, dorme, mastiga, engole, se postura e como tudo isso conversa entre si.
O que é respiração oral (e quando vira um alerta)
Respiração oral é quando a criança respira predominantemente pela boca, de forma habitual, não apenas em um resfriado passageiro.
O alerta acende quando a boca aberta vira “modo padrão”, durante o dia e durante o sono.
Alguns sinais que costumam aparecer juntos:
- Boca entreaberta em repouso
- Ronco, sono agitado ou sono “leve”
- Olheiras e cansaço matinal
- Nariz frequentemente obstruído (“entupido”)
- Irritabilidade diurna, agitação ou dificuldade de foco (especialmente em idade escolar)
Como a respiração oral pode influenciar o desenvolvimento do rosto
Quando a boca fica aberta com frequência, a língua tende a ficar baixa para permitir a passagem de ar (em vez de estimular o céu da boca). E o corpo, para facilitar a entrada de ar, muitas vezes “adapta” postura de mandíbula, cabeça, pescoço e ombros.
Com o tempo e lembrando que infância é fase de crescimento ativo, isso pode se associar a:
- céu da boca alto e estreito (palato alto)
- arcada superior “em V” (constrição maxilar)
- tendência a um crescimento mais vertical do rosto (em alguns padrões)
- alterações de mordida e falta de espaço para os dentes
E aqui entra um ponto importante (e honesto): crescimento é multifatorial. Genética, via aérea, hábitos, postura e tônus muscular contam muito. Nem toda respiração oral tem o mesmo impacto e nem toda mudança facial vem “só da respiração”.
O que importa clinicamente é: se o corpo precisou se adaptar para respirar, vale investigar.
Postura, sono e concentração: por que esse tema vai além da estética
Quando a respiração não está eficiente durante o sono, a criança pode não descansar bem e isso aparece no dia seguinte.
Há evidências consistentes de que distúrbios respiratórios do sono na infância se associam a prejuízos comportamentais e desenvolvimento neurocognitivo, com comprometimento da atenção e desempenho escolar.
Na prática, isso costuma se traduzir em:
- Sonolência ou cansaço “inexplicável”
- Oscilações de humor, agressividade
- Agitação, hiperatividade ou queda de atenção
- Maior sensibilidade ao estresse e à frustração
E aqui entra a importância do olhar integrativo: a respiração, o sono e o desenvolvimento craniofacial conversam entre si.
“Mas então, respirar pelo nariz ajuda no crescimento facial?” COM CERTEZA!
De forma geral, a respiração nasal está associada a um funcionamento equilibrado do sistema orofacial (língua, lábios, mastigação, deglutição) e isso favorece um desenvolvimento mais harmônico da face, com uma mandíbula mais quadrada. Há revisões e estudos discutindo essa relação e reforçando que o objetivo clínico é restabelecer a via nasal sempre, tratando a causa da obstrução e reeducando a função.
Principais causas de respiração oral em crianças
- Rinite/alergias (obstrução recorrente)
- Freios lingual curto, com impacto funcional
- Hábitos (chupeta prolongada, sucção digital)
E uma vez instalada a respiração oral, temos consequências que só agravam a situação:
- Adenóide/tonsilas aumentadas ( secundária à respiração oral e às alergias)
- Desvios estruturais dos ossos maxilares e dentes e alterações nasais
- Alterações miofuncionais (padrão de língua e lábios)
Por isso, em muitos casos, o melhor caminho é a avaliação em equipe: odontologia (função e desenvolvimento),otorrinolaringologia (via aérea) e fonoaudiologia (reeducação miofuncional). Outras vezes, precisamos descobrir de onde vem a alergia, que pode sim ser uma alergia a ácaros e/ou pólen (muito comum),que entretanto muitas vezes é potencializada por tantos químicos não naturais que temos na nossa vida moderna (conservantes e corantes alimentares, produtos de limpeza, produtos de higiene, cosméticos, etc). E, quando necessário, também incluímos um fisioterapeuta para trabalhar a respiração de forma direcionada.
O que pode ser feito (sem promessas mágicas)
A boa notícia: isso não é destino. Quando identificado cedo, é possível intervir de forma progressiva e assertiva.
No Centro Conscientia, a avaliação costuma observar:
- Padrão respiratório (dia e noite)
- Desenvolvimento das arcadas, do engrenamento dos dentes e do formato do palato
- Freio lingual, tônus orofacial, hábitos (chupeta, sucção de polegar),postura ereta
- Sinais de sono não reparador, bruxismo
- Necessidade de encaminhamento conjunto (otorrino/fono)
Quando as alterações miofuncionais e ósseas e posicionamento das arcadas já foram afetadas, a abordagem com Ortopedia Funcional dos Maxilares (OFM) e terapias funcionais podem fazer parte do plano, sempre individualizado e alinhado à fase de crescimento.
Respirar é um ato automático, mas não é neutro. Quando a respiração oral vira padrão, ela pode se associar a alterações de sono, postura, concentração e também ao desenvolvimento craniofacial e cognitivo. Respirar pela boca diminui a entrega de oxigênio que promove um desenvolvimento harmônico.
Respiração oral não é “mania”, é um corpo tentando dar conta. E quando a gente identifica cedo, existe muito espaço para mudança. Com avaliação, orientação e um plano eficaz, a criança pode voltar a respirar melhor, dormir melhor e se desenvolver com mais equilíbrio. O mais importante é não normalizar o que está pedindo atenção, e dar o próximo passo com calma, sem culpa, porém firme.
E tem um fator que às vezes passa batido: a respiração curta, oral leva a maior ansiedade/agitação na criança. Nas crianças, isso pode aparecer com fala acelerada, má dicção, dificuldade de ficar quieta. É sempre importante observar o padrão respiratório quando a criança está frente a telas.
Por isso, além de investigar a causa ‘estrutural’ da respiração oral, também é importante observar o contexto emocional e a rotina: sono, telas, estímulos, nível de ansiedade e como essa criança ‘respira quando a vida acelera’.
Um convite
Se seu filho ronca, dorme mal, vive com o nariz obstruído ou fica com a boquinha aberta sem perceber: não é para entrar em pânico, é para investigar com cuidado.
👉 Para avaliação do padrão respiratório, sono e desenvolvimento craniofacial infantil, agende uma avaliação no Centro Conscientia – Florianópolis/SC
Dra Elisa Baumgarten
📞Telefone: (48) 3024-3400
📍 Rua Santos Dumont, 182 – Centro, Florianópolis
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